domingo, agosto 1

Do Novo Ídolo I

“Ainda em algumas partes há povos e rebanhos; mas entre nós, irmãos, entre nós há Estados.

Estados? Que é isso? Vamos! Abri os ouvidos, porque vos vou falar da morte dos povos.

Estado chama-se o mais frio de todos os monstros. Mente também friamente, e eis que mentira rasteira sai da sua boca: “Eu. o Estado, sou o Povo".

É uma mentira!


Os que criaram os povos e suspenderam sobre eles uma fé e um amor, esses eram criadores: serviam a vida.

Os que armam ciladas ao maior número e chamam a isso um Estado são destruidores; suspendem sobre si uma espada e mil apetites.

Onde há ainda povo não se compreende o Estado que é odiado como uma transgressão aos costumes e às leis.

Eu vos dou este sinal: cada povo fala uma língua do bem e do mal, que o vizinho não entende. Inventou sua própria língua para os seus costumes e as suas leis.

Mas o Estado mente em todas as linguas do bem e do mal, e em tudo quanto diz mente, tudo quanto tem roubou-o.

Tudo nele é falso: morde com dentes roubados. Até as suas entranhas são falsas.

Uma confusão das línguas do bem e do mal: é este o sinal do Estado. Na verdade, o que este sinal indica é a vontade da morte; está chamando os pregadores da morte.

Nascem homens demais; para os supérfluos inventou-se o Estado! Vede como ele atrai os supérfluos! Como os engole, como os mastiga e remastiga.

“Na Terra nada há maior que eu, eu sou o dedo ordenador de Deus.” – assim grita o monstro. E não são só os que têm orelhas compridas e vista curta que caem de joelhos! Ai, também em vossas almas grandes murmuram as suas mentiras sombrias. Eles conhecem os corações ricos que gostam de se prodigalizar.

Sim; adivinha-vos a vós também, vencedores do antigo Deus. Saístes derrotados do combate, e agora a vossa fadiga ainda serve ao novo ídolo!

(continua…)

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